A liberdade no ensino é fundamental para que os jovens(até os 14 anos) , no seu futuro, tenham criatividade e plena abertura ao novo. Não devemos nos esquecer, que a base é o relacionamento com os Pais, que devem sempre apoiar e orientar. Em Portugal, existe um trabalho interessante na educação, onde foram pinçadas informações da Didática Magna de Comenius (o ideal seria a ampla aplicação desta didática moderna).
É a Escola da Ponte, localizada a 30 km da cidade do Porto, Portugal.
O Diretor da Escola (Prof. José Pacheco) defende uma escola fora dos padrões tradicionais, uma instituição de ensino básico que não segue um sistema de seriação/ciclo, seus professores não lecionam uma disciplina específica. Seus alunos, crianças e adolescentes, muitas vezes transferidos, após expulsão de outras escolas, escolhem suas áreas de interesse para pesquisas em grupo ou individuais.
Diz Pacheco: “Na Ponte, houve o bom senso de não adoptar um só modelo, de aplicar uma só teoria. Não somos “fundamentalistas”. A nossa proposta vai beber em múltiplos contributos de muitos pedagogos e correntes. O que fizemos foi adaptar esses contributos ao espaço e ao tempo que é nosso. Consideramos que diferenciar é admitir que cada ser humano é único e irrepetível, e que (como diria Comenius) é um exercício inútil pretender ensinar todos como se de um só se tratasse. Cada criança, no ofício de aluno, define os seus projectos, articula-o com os projectos de grupo e o da escola, avalia-se quando sente que sabe, desenvolve competências que dele fazem um aprendente para toda a vida. A escola tem tendência a impor a sua cultura, em detrimento das outras culturas nela presentes”
A Escola da Ponte:
Não há salas de aula, turmas, séries ou currículo, não existe diferença hierárquica entre professores e alunos e não há espaço para exames finais. Os professores rodam pelos diferentes espaços de tempos a tempos, de modo a que possam trabalhar com todos os alunos. Os alunos estão organizados em grupos heterogéneos. Não há lugares fixos ou salas de aula. As salas de aula foram extintas, e as atividades passaram a ocorrer em áreas abertas, partilhadas por todos.
A actual equipa é constituída por 28 orientadores educativos: uma psicóloga, quatro educadoras de infância, os três professores que integram a comissão instaladora (só o presidente não tem componente lectiva atribuída) e um professor “aposentado”.
Ser orientador educativo, nesta escola, significa proporcionar às crianças a compreensão do “porquê” e “para quê ” do seu esforço, implicá-las responsavelmente num processo de permanente auto-formação, valorizando a reflexão e a capacidade de análise crítica. A Escola da Ponte baseia seu programa educacional na autonomia e na participação dos estudantes. Alunos definem áreas de interesse e desenvolvem seu itinerário de aprendizado, por meio de projetos de pesquisa individuais e em grupo. À medida que se sente preparado, cada aluno procura o professor, e juntos fazem a avaliação do trabalho realizado.
A associação de pais é hoje um interlocutor sempre disponível, um parceiro indispensável. Mas a colaboração dos pais não se restringe às actividades promovidas pela sua associação. No início de cada ano, todos os encarregados de educação participam num encontro de apresentação do Plano Anual. Mensalmente, ao sábado de tarde, os projectos são avaliados com o seu contributo.
Toda essa liberdade, entretanto, não é anárquica. Existem regras de convivência e de trabalho, estabelecidas por alunos e professores, e as crianças também determinam os mecanismos para lidar com aqueles que se recusam a obedecer as regras. Semanalmente, há uma assembléia da qual todos participam, na qual vale o principio de “uma cabeça, um voto”.
O professor Pacheco utilizou além de Comenius, informações da pedagogia Waldorf (onde Steiner já tinha utilizado pesquisas de Comenius). No fundo ele está modernizando esses conceitos. Em vários países, incluído o Brasil, já estão utilizando conceitos de José Pacheco.
Parabéns Professor Pacheco.